Salinas de Aveiro... da safra do sal aos banhos salgados

Salinas de Aveiro... da safra do sal aos banhos salgados


«Sal, ex-libris da nossa Ria... Moliceiros e Saleiros, navegando com qualquer maré... Marinhas botadas e amanhadas, a rigor... Sal sagrado, precioso... tão, que o encontramos em todas as manifestações.

O de Aveiro, provavelmente o melhor do mundo.»

Cale do Oiro

Falar de Aveiro é falar de Salinas.

O primeiro documento escrito sobre o Salgado de Aveiro, remonta a 26 de Janeiro de 959 d.C. sendo consequentemente anterior à formação da nacionalidade (1143), refere-se à doação das terras que possuímos no Alavário (Aveiro) e das terras de sal que comprámos - “Terras in alavario et salinas que ibidem comparavimos”, feita pela condessa de Mumadona Dias para o mosteiro de S. Salvador que foi fundado em Guimarães. Se compradas por ela, teriam de existir anteriormente.

Há quem pense que terão sido os Fenícios, um povo comerciante que terá vindo do Médio Oriente, por mar, no século X a.C. que, abandonando mais tarde as relações com o país de origem, terá passado a dedicar-se, entre outras actividades, ao fabrico do sal. Com a independência de Portugal, a “cidade” e as marinhas foram propriedade da nação, até que em 1187 D. Sancho I doou a cidade de Aveiro à sua irmã D. Hurraca Afonso. Em 1215, D. Hurraca Afonso doou a produção de sal ao mosteiro de S. João de Tarouca, produção que já na época deveria atingir alguns milhares de toneladas. 

Outrora atividade económica de grande importância, a produção de sal marinho - localmente acarinhado de "ouro branco" - teve uma expressão significativa nos anos 60 do século XX, existindo cerca de 270 marinhas de produção, chegando a produzir cerca de 95.600 toneladas/ano em 1966. No entanto, a partir de 1960, a atividade entrou em franca decadência, não só em número de marinhas de produção ativas, como também em volume de produção. Em 1991, havia cerca de 30 marinhas licenciadas para a produção de sal, no entanto, apesar de estarem ativas, nem todas se dedicavam à produção de sal, aguardando licenciamento para a piscicultura. 

Atualmente, apenas sete marinhas de produção de sal estão em atividade e só algumas continuam a trazer até nós o sal de Aveiro e a garantir que esta arte continua a perdurar nos nossos dias e não apenas em memórias.

Nas Salinas de Aveiro, há duas marinhas de produção de sal que se destacam: as marinhas Grã Caravela e Peijota . Ambas sob a gestão da empresa de turismo Cale do Oiro.

Fotografia: Cale do Oiro

Nestas marinhas de produção de sal, localizadas a oeste da cidade, podes realizar uma viagem pela história do sal tradicional de Aveiro, contactando diretamente com a realidade da sua produção, o cuidado e o trabalho apenas humano para produzir o melhor sal e flor de sal por métodos tradicionais. Na Grã Caravela, existem guias que te acompanharão durante a visita.

O período de safra do sal, em condições normais, ocorre durante o verão (nos meses mais quentes). 

Fotografia: Jornal de Notícias 

Fotografia: Cale do Oiro

Fotografia: Cale do Oiro

Depois de uma visita guiada pela história do sal e da sua produção, podes usar uma zona destinada a banhos salgados. Para além da experiência proporcionada pela elevada concentração de sais, superior à agua do mar, o Salinário usa as propriedades terapêuticas do sal para ajudar na má circulação de sangue, tratamento de psoríase e hidratação da pele.

Fotografia: Público

Fotografia: Visão

Enquanto alguns dos visitantes gozam de banhos salgados e enlameados ou de massagens relaxantes, os marnotos continuam a coletar o sal que depois poderá ser utilizado na confeção das mais variadas refeições.

 

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EXPERIÊNCIA SAL DE AVEIRO: VISITA GUIADA ÀS SALINAS + BANHOS SALGADOS


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